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O que eu tenho a dizer sobre o orkfuck, vulgo orkut? E os furões na fila do RU? E o Fórum Social Mundial? E a vaca amarela cagou na panela...? Eu não quero falar primeiro, mas pelo jeito vou acabar comendo toda bosta dela.
Vou começar pela fila do RU, porque ela é longa.
Escrito por Rob às 06h50
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A soja transgênica afetou a cabeça do Mario Motta
Eu raramente assisto o Jornal do Almoço, na RBS. Pra ser sincero, já faz pelo menos dois anos que não assisto. Quando eu quero ficar irritado com alguma coisa assisto FOX News e quando quero ficar informado prefiro notícias online. Ou seja, se for pra ficar desapontado e irritado com alguma rede de notícias que seja uma de grande influência, onde ao menos se aprende inglês; e se for pra ficar bem informado, é melhor que se tenha oportunidade de escolher o tipo de informação, o tema e a fonte.
Mas hoje, enquanto cozinhava abóbora e esquentava minha carne moída que sobrou do domingo, resolvi me distrair. Sintonizei no doze e dei logo de cara com o Cac(o)au Men(f)eses. A babozeira de sempre, autopromoção, entretenimento barato, etc. Depois veio reportagem sobre a soja, sobre a soja transgênica especificamente.
Fiquei estupefato. Apesar dos pesares, não é TÃO comum ver algo TÃO não-jornalístico na TV. Nem as reportagens anti-lula/PT na VEJA (só!) conseguem ser pior. Parecia ser propaganda da Monsanto. E o irônico dessa história é que no intervalo foi colocada uma propaganda dessa empresa homenajeando os agricultores empreendedores do Rio Grande do Sul, que estão testando novas variedades de soja (transgênica). Eu não sabia mais o que era o que. Reportagem e propaganda se mesclando numa mensagem só.
O que é mais assustador é que o Mario Motta tem um prestígio. Eu pessoalmente o considero não somente simpático - já o vi pessoalmente - como também um jornalista sério. Pelo menos até hoje. A Embrapa, empresa mencionada na reportagem, também tem renome. Tudo isso apaga pro telespectador o caráter propagandístico e tendencioso da reportagem.
O outro lado da história, que não foi mostrado, é mais ou menos assim.
1 - A engenharia genética produz inovações que são, muitas vezes, desnecessárias. No documentário The Corporation, por exemplo, é mencionado um caso bizarro. A própria Monsanto cria uma supervaca que produz superleite pro supermercado americano. O problema é que já há uma SUPERprodução de leite no EUA. Ou seja, todo esse discurso de pseudo-humanitário de que esse produtos acabariam com a fome no mundo são simplesmente uma reprodução do discurso da Revolução Industrial e introdução de novas teconologias. Uma SUPERmentira: o pequeno produtor se ferra, o grande agricultor controla o mercado e manipula os preços e a população continua passando fome. E o desemprego aumenta.
2 - Produtos geneticamente modificados (PGM) ainda não foram suficientemente testados e põem em risco o consumidor - que não sabe o que está comendo - e o meio ambiente. Num artigo sobre a crise na Taco BEll (restaurante que usava trangênicos não aprovados pela FDA), Ralph Nader (único candidato a presidência nos EUA/2004 a ser contra PGM), argumenta que a engenharia genêtica ultrapassou a ciência que deveria ser sua base. Essa inversão encobre problemas que vão desde riscos ecológicos até alergias, danificando o ambiente natural. Pra quem quizer o artigo, esse é o link : http://www.sfbayguardian.com/nader/133.html
3 - Produtos geneticamente modificados podem ser ruins para a economia (brasileira, por exemplo): além dos riscos pro meio ambiente, PGM causam desemprego (os pequenos agricultores não terão acesso fácil à semente patenteada) e podem barrar a aceitação do produto brasileiro no mercado internacional. Embora muitos países já aceitem GMP, as regras para a sua aceitação podem se tornar cada vez mais rígidas e ameçar a exportação brasileira: um argumento simples pra justificar o protecionismo na União Européia, por exemplo. Além do mais, outros potenciais mercados podem criar leis protecionistas beseadas no mesmo argumento: China, Rússia, etc. Por úlimo, de que adianta uma superprodução para um pequeno mercado? Os famintos do Zâmbia não terão condições de comprar todo o excedente...
Voltando ao Mário Motta. O que faz um jornalista aparentemente sério como ele permitir tanta manipulação (ops, olha o trocadilho!)? Talvez a reportagem da Monsanto no intervalo seja uma resposta parcial. A RBS e outros meios de comunicação dependem de anunciantes. E é bem mais lucrativo ficar do lado da Monsanto e da Embrapa que do lado do faminto no Zâmbia ou de um produtor de arroz no Imaruí (um dos municípios mais pobres de Santa Catarina).
Eu confesso: eu como muito mal. Minha comida é um lixo sintético. Eu sou uma vergonha pro bioativismo. E pode parecer hipocrisia toda essa indignação acima. Mas ao menos eu escolho o meu ketchup, a minha mostarda, eu escolho comer essa porcaria. Eu compro o meu miojo salvador. Os PGM nem sempre proporcionam essa liberdade de escolha, porque não são identificados. E causam um impacto coletivo muito maior.
A partir de agora, cada vez que for ao supermerdado vou me lembrar do Mario Motta - eu o conheci quando trabalhava de operador de caixa num supermercado. Quem sabe minha decepção com esse senhor simpático não afeta minhas compras?
Quem aposta que eu vou continuar comprando ketchup?
Escrito por Rob às 11h58
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One Flew over the Cuckoo's Nest
McMurphy era um inveterado jogador de pôquer, já havia sido despedido um número de vezes e se metido em encrencas um número de outras. Com a fama de batedor no poquer que havia adquirido e mais ainda a fama de encrenqueiro, a safra de trouxas estava ficando escassa. Por isso ele resolveu fingir de louco e se internou num sanatório, isso numa época onde sanatório era sinônimo de eletrochoque e em última instância, lobotomia (pra quem não sabe isso significa basicamente arrancar parte do cérebro tornando o paciente num vegetal).
Mesmo assim, parecia ser uma boa opção pra alguém que precisava de três refeições por dia e alguns dementes (me refiro a quem perde dinheiro no jogo) pra dar dinheiro pra ele. Como acaba história, só lendo "One Flew over the Cuckoo's Nest", de Ken Kesey, pra saber. No mínimo, ele transformou a vida dos pacientes do hospital e do índio enorme que conta a história. No máximo, ele pode trazer lágrimas aos olhos do mais durão, sem ser água com açúcar. E apronta todas.
Uma das cenas mais hilárias (eu juro que ri quando lí) é mais ou menos assim.
Um grupo de pacientes está jogando cartas e ninguém dá muita atenção pra chegada dele. Pra quebrar o gelo ele brinca com Billy Bibbit: "Quem de vocês se diz o mais louco aqui? Quem é o mais maluco? Quem dirige o jogo de cartas? Hoje é meu primeiro dia e o que eu quero mesmo fazer é dar uma boa impressão já de cara para o sujeito certo se ele conseguir provar pra mim que ele é O Cara. Que é o doido varrido por aqui?" (minha tradução)
Harding, que supostamente tinha até diploma universitário, foi apontado como o doido varrido-mor. Nem levantou a cabeça. Só se marcar na agenda. McMurphy replica dizendo que o hospital já está ficando pequeno para os dois. E o que segue é uma sessão bizarra dos dois tentanto provar quem é mais louco.
McMurphy: "Bibbit, você pode avisar o Harding que eu sou tão louco que admito ter votado para o Eisenhower."
Harding: "Bibbit, você pode avisar o McMurphy que eu sou tão louco que eu admito ter votado para o Eisenhower DUAS VEZES"
McMurphy: "E você falar pro Harding de volta ... que eu sou tão louco que eu tenho intenção de votar pro Eisenhower novamente em Novembro"
Depois dessa, Harding tira o chapeu, aperta a mão dele, e nasce um novo manda-chuva na ala psiquiátrica.
Pra quem não tem saco de ler o livro, vale a vena dar uma checada no filme. Em português: Um Estranho No Ninho. McMurphy na interpretação impecável de Jack Nickolson; a enfermeira Ratchett interpretada por uma atriz bonita de olhar quase de compaixão, de arrepiar.
A propósito, eu tenho o filme. Quem estiver interessado ...
Escrito por Rob às 20h27
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Citação da Semana
"... for really I'm quite tired of being such a really tiny thing!"
Quem souber de onde essa frase foi extraída e deseja receber um brinde, mande uma mensagem para cogitoergosum. Esporadicamente este blog estará premiando os leitores mais desocupados que perdem tempo de ler e ainda participar desse tipo desse tipo de coisa.
Essa semana estarei premiando com um conto, em áudio, de Edgar Allan Poe.
Escrito por Rob às 20h55
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Bush e a America Latina
Zian Mian, em uma palestra intitulada "Project for the New American Century", explica o desdém que os americanos têm demonstrado com a America Latina, especialmente América do Sul: o serviço de casa já foi feito há muito tempo. E quem conhece a história da ditaduras militares deve concordar com a opinião do paquistanês. Com o fim das ditaduras - Argentina, Brasil, Chile, etc - entra em cena o FMI e o Banco Mundial, ambos sob monopólio americano. A dependência de países americanos frente a essas instituições justifica a ausência absoluta da América Latina como uma preocupação no Projeto para o Novo Século Americano.
Mas com as recentes pequenas rebeliões - Hugo Chaves, na Venezuela; Néstor Kirchner, na Argentina; infelizmente o Lula do Brasil não acompanhou a pequena revolução - os americanos começaram a ficar nervosos. Oficiais de alto escalão - como Secretário de Comércio Exterior Robert Zoellick - não medem palavras para criticar Hugo Chaves, assim como também não medem os meios para tirá-lo do poder.
Com a esquerdização da America Latina, podemos esperar uma atuação bem mais violenta de Bush nesse segudo mandato. Por um lado, aumentará a ajuda a dissidentes de presidentes populares e populistas como Hugo Chaves e Fidel Castro; por outro, presidentes mais moderados e fiéis ao FMI serão encorajados a exercer um papel mais decisivo na política regional: vide liderança do Brasil na "pacificação" do Haiti - com uma mão dão a esmola, com a outra a duplicata.
Não é de se estranhar, portanto, que os americanos não estejam oferecendo muita resistência aos anseios brasileiros de ocupar um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Há alguma coisa de podre na Bushlândia.
Escrito por Rob às 09h38
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Errata
A citação de Merleau-Ponty inicia assim: "The world is ..." Esqueci o is.
E me perdoem por ter usado inglês: foi a única versão que achei e não gosto de traduzir: não só por incapacidade mas também por preguiça. Afinal de contas, escrever esse blog não é atividade integral.
Escrito por Rob às 20h35
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Uma leitora do meu blog, Mal a tête-Ponty, me pergunta: "você acredita que as pessoas de fato se comunicam? Como é que eu vou saber, por exemplo, se o que eu realmente quero dizer quando falo é aquilo que você de fato compreende?" Fico lisongeado que alguém ainda tenha culhões pra entrar aqui e aparentemente ler até o final. Não é à toa que a leitora é Mal a tête.
Já que a leitora tem o sobrenome do filósofo francês, vou aproveitar o gancho. Segundo Merleau Ponty, "The world ... the natural setting of, and field for, all my thoughts and all my explicit perceptions. Truth does not “inhabit” only “the inner man,” or more accurately, there is no inner man, man is in the world, and only in the world does he know himself." (Phenomenology of Perception, preface, 1945). Então é no "homem no mundo" que devemos buscar a resposta.
Eu vou pressupor que nós temos corpos semelhantes (diferenças anatômicas à parte) e que nossas experiências, tanto com nosso corpo quanto com o mundo e outros corpos são também semelhantes. Como eu acredito nisso, eu também acredito que outras pessoas, incluindo Mal a tête (se ela for um ser humano de verdade), possuem um sistema conceitual semelhante ao meu. Quando as pessoas falam, elas usam esse sistema conceitual. É aí que a a comunicação acontece ... ou não.
O problema é que os sistemas conceituais não são monolíticos. Aparentemente nem mesmo pessoas que vivem muito tempo juntas conseguem se entender: que o digam os casais, que mesmo depois de separados não entendem a própria separação e seus conceitos. O próprio Merleau-Ponty dizia: "Divorces as well as marriages can fail".
Mas voltando à dificuldade da comunicação: É muito comum essa sensação de que estamos falando a mesma língua e ao mesmo tempo línguas completamente diferentes, como se o interlocutor estivesse "falando grego". A explicação para isso é que há nesses casos uma divergência pontual ou mesmo substancial de sistemas conceituais, ou seja, o sistema conceitual subjacente é diferente mesmo que a lingua seja aparentemente a mesma.
Mas é bom lembrar que quanto mais próximos do corpo os conceitos relevantes, teoricamente, maior a comunicabilidade. Porque os conceitos corpóreos são mais estáveis, concretos, bem estruturados e não variam muito de pessoa para pessoa, nem mesmo significativamente de cultura para cultura. Nos aspectos que eles variam, novamente pode haver problemas. Todos conhecem aquela história das mais de vinte palavras que os eskimós tem para a cor branca. Mas mesmo nesse caso, não é uma diferença substancial que afete o sistema conceitual como um todo. Tanto é pontual que esquiadores e aventureiros também possuem mais de uma dezena de itens lexicais também.
Os conceitos menos corpóreos - ECONOMIA, MORALIDADE, TEMPO - são mais sujeitos à variações. São compreendidos através de metáforas - A ECONOMIA É UM CORPO, MORALIDADE É ACERTO DE CONTAS, TEMPO É ESPAÇO - e tem pouca estrutura própria que venha de experiências corpóreas cotidianas: comprar, vender, trocar, produzir, para ECONOMIA por exemplo. Essas experiências não são suficientes para estruturar os conceitos e por isso usamos metáforas e outros processos cognitivos, como metonímia. Como as metáforas e as metonímias nem sempre serão as mesmas, o conceito é mais flexível e sujeitos a discrepâncias de grupo social para grupo social, cultura para cultura, indivíduo para indivíduo.
Isso quer dizer que a comunicação existe porque corpos semelhantes nos proporcionam experiências e sistemas conceituais semelhantes. E eu acredito que meu interlocutor está me entendendo porque presumo que ele tenha experiências semelhantes às minhas. Quando elas não são semelhantes, a comunicação falha, e isso, como diria o Analista de Bagé, isso é mais comum do que pomada minâncora.
Mas como eu dizia, é possível que nos estejamos vivendo num mundo Matrix. E daí essa pergunta "Como é que eu vou saber, por exemplo, se o que eu realmente quero dizer quando falo é aquilo que você de fato compreende?" não pode mais ser posta. Mas enquanto o código não for quebrado, mantenho a posição acima.
Uma pergunta, respondam por favor: Alguém pensou no Kama Sutra quando falei de "posição"?
Escrito por Rob às 16h10
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Internacionalizaram a Amazônia!!!! E implantaram um chip no meu cérebro... I
Minha primeira teoria da conspiração foi criada ad hoc: na ocasião de um debate entre o cônsul geral de Israel no Brasil e um representante árabe, pouco depois do 11 de Setembro. Começa com a presença de dois brutamontes vestidos de preto colocados estrategicamente um a cada lado da mesa dos debatedores. Entre uma vaia e outra ao israelense, e aplausos ao representante árabe, um professor de história (sic) levantou a mão e manifestou sua preocupação com o movimento zionista internacional. Segundo ele, não precisamos ter medo de que Israel vai invadir o Brasil, mas que o Mossad (serviço secreto israelense) já estava ali!!!! Eles eram agentes da polícia federal...
Na esteira da paranóia do Zionismo internacional (vide Os Protocolos dos Sábios de Sião), os judeus tem sido mesmo os candidatos primários às teorias conspiratórias: tanto criam quanto são vítimas delas. De tanto assistir Woody Allen cheguei à conclusão de que isso é uma estratégia de sobrevivência e uma necessidade biológica. Ainda sobre os judeus: em grande parte do mundo árabe, o 11 de Setembro foi um complô judeu. A prova: no dia do atentado nenhum judeu compareceu ao trabalho. É óbvio que muitos judeus trabalharam e morreram nesse dia. Eu soube que os búlgaros não...
Escrito por Rob às 14h18
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Internacionalizaram a Amazônia!!!! E implantaram um chip no meu cérebro... II
Mas minha teoria da conspiração favorita é a da internacionalização da Amazônia. Já recebi e-mail corrente, ouvi discursos inflamados, já ouvi em mesa de boteco, em sala de aula, no cabelereiro, em fila de supermercado. Enfim, essa é a teoria-mor. Segundo um e-mail que recebi a Amazônia teria sido tornada pela ONU em Área de Preservação Internacional, sob a custódia dos Estados Unidos. Ou pelo menos isso é o que constaria no livro “Introduction to Geography”, de David Norman, “amplamente difundido em escolas públicas americanas”.
O problema é que numa busca no Amazon.com eu não consegui encontrar o tal livro amplamente difundido. Será que a Amazon deixaria de oferecer um livro tão procurado? Eu não desisti. Fiz uma busca no Google: a única coisa que encontrei foi somente o e-mail conspiratório e páginas desmascarando o próprio. Pra quem se interessar, recomendo o seguinte link:
http://www.novomilenio.inf.br/humor/0111f002.htm
O que une meu irmão, meu amigo economista, Celso Santos (funcionário de uma importante editora de revistas na capital paulista), a caixa do supermercado e a cabeleireira? Estratégia de sobrevivência: com o desprezo claro dos americanos pela América Latina e o Brasil, nós precisamos acreditar que ELES querem tomar a Amazônia!
Escrito por Rob às 14h18
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Internacionalizaram a Amazônia!!!! E implantaram um chip no meu cérebro... III
Eu definitivamente desconfiei dessa história desde o começo, assim como sou cético com relação a quase todas as outras. Exceto com a teoria de que nós somos estamos numa realidade virtual (vide Matrix), num plano de simulação de alguma civilização levemente mais avançada que também é uma simulação de uma outra civilização e assim ad infinitum. Eu também acredito que as pessoas que entram nesse blog são espiões da CIA que implantaram um chip no meu cérebro e estão monitorando todas as minhas atividades...
Escrito por Rob às 14h17
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A gente nao quer só comida, a gente comer e escrever!!!!
Aprendi a ler e escrever quando tinha 4 anos. Não tanto por mérito meu, já que qualquer criança cognitivamente normal pode aprender a ler e escrever nessa idade. Mas sim porque foi inevitável: minha mãe era professora do primário - eu sou da época do primário - e minha irmã, estudante de Letras e uma leitora ávida (ela teve o juízo de fazer arquitetura mais tarde e prestar concursos; eu ainda continuo nessa vida!). Além disso, não tínhamos televisão, ou melhor tínhamos, mas era preciso uma boa dose de imaginação e paciência pra decifrar as imagens.
Foi nesse millieu que cresci lendo e gostando de ler. Como achava minha vida uma droga, sem muita emoção, os livros me proporcionavam tudo que eu precisava. Além do mais, morria de timidez; então, aproveitava pra fugir de qualquer contanto social indesejado, com um bom livro. Eu devorava tudo que via pela frente, até bula de remédio. E não tinha hora nem lugar: no ônibus apertado, na hora do recreio - é, também sou do tempo da hora do recreio -, na hora da famosa educação fisica - eu detestava futebol e arranjei um médico bacana que me deu um atestado médico por um ano, alegando dor nas costas: escoliose discreta alguma, algo como "aquilo que qualquer pessoa que faz qualquer atividade física tem."
Mais tarde, extremamente angustiado por não ter com quem falar, comprei um diário, onde nunca escrevi nada sobre meu cotidiano, mas sobre todo o resto. Esse diário, que guardo até hoje, tem poesia, declaração de amor, crítica social - de quando eu tinha 14 ou 15 anos -, pequenos, bem pequenos, ensaios sobre o ser humano. Todos textos de que me envergonho muito. Mas minha amiga Virgínia gostava...
Parei de escrever qualquer coisa do gênero aos 17 anos, justamente quando entrei no curso de Letras. Isso não é mera coincidência!!! Hoje, quando olho meu diário, envergonhado, não consigo deixar de sentir uma ponta de inveja daquele garoto sonhador e ingênuo, apaixonado e tímido. Por muito tempo - desde o início da facu - achei que escrever era uma atividade sagrada, destinada a seres de outro mundo que não o meu.
A única coisa de decente que escrevi em dez anos foi um tratado sobre a mediocridade que, na verdade, não foi muito popular. E dois parágrafos de meu romance "As aventuras de Van den Acker". Para o bem da humanidade e do mundo literário, abandonei completamente o projeto do romance. Mas tive uma outra idéia. Esporadicamente, quando tiver um dos meus raros momentos de desejo incontrolável de escrever, vou usar esse espaço.
Quero escrever sobre sociedade, cultura, política e, principalmente, sobre lingua(gem). Uma das poucas paixões que me restam é pensar sobre a língua, a linguagem e as línguas. Apesar de eu nem sempre tratar da minha lingua portuguesa com o devido respeito. Mas se eu não escrever, como sabê-lo?
Escrito por Rob às 10h13
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Cogito Ergo Sum
Essa primeira mensagem provavelmente será uma contradição doi título.
Escrito por Rob às 11h42
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BRASIL, Sudeste, FLORIANOPOLIS, Homem, de 26 a 35 anos, Portuguese, German, Cinema e vídeo, Viagens
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Histórico
20/03/2005 a 26/03/2005
05/12/2004 a 11/12/2004
28/11/2004 a 04/12/2004
21/11/2004 a 27/11/2004
14/11/2004 a 20/11/2004
24/10/2004 a 30/10/2004
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